[Coluna] Uma breve história sobre como não estudar para a OAB

Atualizado: 22 de Mai de 2019


Calma, este não é um texto de incentivo para você não estudar. É apenas uma narrativa para que você não cometa os mesmos erros que eu. Era 25 de julho, por volta de 23h, dez dias antes da primeira fase da OAB. Ainda não tinha conseguido começar a estudar: estava intensamente envolvida com o fim de semestre, com as tarefas do PETI, com minha pesquisa, escrevendo um artigo incansavelmente e preocupada com o TCC.


Desde o momento da inscrição, sabia que provavelmente teria pouco tempo para me dedicar à prova, mas ela não era minha prioridade, eu sequer queria advogar, então estava tudo bem. Até aquele dia. O desespero bateu forte porque, meu Deus, faltava praticamente uma semana e eu não tinha feito nada. O Google parecia a única saída. “Como estudar para OAB em uma semana”. Quando apareceram vários sites com esse título, senti alívio. Durou cerca de 30 segundos. Os links abriram e a informação era quase unânime: é impossível, a última semana é para descansar, no máximo rever alguns conteúdos que você já estudou. Você quem? Eu não tinha estudado nada! Recorri ao youtube com a certeza de que encontraria um relato do tipo “fiz a OAB sem estudar e olha no que deu!”. Deu na reprovação. A pessoa tinha acertado 30 questões. Um comentário no vídeo aumentou meu surto: “nossa, você foi sem estudar? Na minha faculdade somos preparados desde o segundo período” (!). As pessoas estudam durante quatro anos para essa prova e ninguém me avisou?


Não sei dizer como, mas de repente estava assistindo vídeo aulas de ética em looping infinito. Decidi fazer a última prova como simulado. Perceba, a essa altura, já eram 4 da manhã. Terminei por volta das 7, quando mal conseguia ler os enunciados, tamanha exaustão. O resultado? Exatamente 40 questões. Tive um ataque de risos sozinha. Sabia que, se estivesse fazendo a prova pra valer, não teria acertado o necessário. Seria sabotada pelo desespero e pela ansiedade. Depois de descansar, percebi o quanto isso não fazia sentido: se a OAB sequer era minha prioridade, por que eu estava ficando louca pela mera possibilidade de não passar?


Não vou dizer que minha semana foi tranquila, mas estudei o que pude e respeitei meu corpo quando ele pediu descanso. Não consegui assistir todas as vídeo aulas que pretendia. Tentei terminar de ler o Código de Ética até 5 minutos antes da prova. Ou seja, absolutamente não comecei a estudar no segundo período, nem segui os planos de 120 dias. Mas passei. Não por sorte. Não por ter me matado tentando decorar tudo. Tampouco porque nasci um gênio que aprende em uma semana o conteúdo de 5 anos (seria ótimo). Passei porque estive em um curso que, embora não tenha como maior objetivo aprovar alunos na prova (ainda bem!), me forneceu uma ótima base para que meu estudo fosse apenas uma revisão, porque a lógica geral já estava compreendida.


O objetivo desse texto é que você não passe pelo estresse que passei. O exame não tem a importância que te dizem, não deve exercer sobre você uma pressão enorme. A relevância da prova está diretamente relacionada às suas prioridades profissionais. Não se sinta mal se ela não estiver perto do topo da lista. Planeje-se (como não fiz) se ela estiver. Em todo o caso, não é o fim do mundo. Ainda que você reprove, vai estar tudo bem. Lembre-se: o objetivo do curso de direito não é que você passe de primeira na OAB, mas que se forme um bom profissional, e a prova não é capaz de medir isso.

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