Síndrome do Impostor: entenda se você tem ou já teve



Você já se julgou insuficiente para a posição que ocupa? Ou tem a sensação de que as pessoas vão descobrir a qualquer momento que você não é tão bom assim?


Essas são algumas das sensações que a Síndrome do Impostor pode causar na vida das pessoas. Em 1978, essa manifestação foi reconhecida pelas psicólogas Pauline Rose Clance e Suzanne Imnes Archives. É caracterizada como uma desordem psicológica na qual o sujeito não consegue admitir suas próprias capacidades, acreditando assim que todo seu sucesso é em decorrência de sorte ou porque alguém ajudou (aquela sensação de que “estava no lugar certo, na hora certa”).[1] Nesse sentido surgem uma série de sensações, como insegurança e inadequação, que causam uma inferioridade ilusória, mas para a pessoa é totalmente real.


No curso Learning How to Learn da Universidade McMaster & Universidade da Califórnia, San Diego, disponibilizado na plataforma Coursera em parceria com a Universidade Federal de Lavras, tratou-se sobre a Síndrome do Impostor em ambiente acadêmico. A partir de tal viés, é possível perceber que ser mais inteligente muitas vezes equivale a ter uma memória de trabalho maior. No entanto, sendo você uma pessoa naturalmente talentosa ou demandando estudos reiterados para o aprendizado de um conteúdo; ou sendo você um sujeito acometido pela síndrome do impostor, o que lhe leva a acreditar que suas conquistas não decorreram de seu esforço, entenda: você não está sozinho! As pessoas possuem talentos diferentes e o sentimento de inadequação é compartilhado mesmo que secretamente por muitos ao seu redor.[2]


É importante mencionar que tal situação é muito recorrente entre as mulheres, já que começaram a ocupar mais espaços na sociedade tardiamente, sobretudo após a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Pauline Rose Clance, por exemplo, começou seus estudos sobre a Síndrome do Impostor na faculdade, ao perceber que as alunas com os melhores resultados constantemente achavam ser mera questão de sorte. A partir dos estudos de Clance, percebeu-se que quando mulheres ocupam locais de destaque elas tendem a questionar, continuadamente, se merecem ocupar essa dada posição. É muito interessante perceber que algumas das mulheres mais influentes do mundo, como a atriz Emma Watson e a cantora Beyoncé, alegaram possuir a Síndrome do Impostor. Michelle Obama, em entrevista, afirmou: “Eu tive que trabalhar duro para superar aquela pergunta que ainda faço a mim mesma: eu sou boa o suficiente?”[3]


Nessa perspectiva, para lidar com a Síndrome do Impostor, o primeiro passo é identificar a sua ocorrência e, a partir disso, tentar reconhecer quais pensamentos e sensações podem estar a ela associados. No ambiente acadêmico, por sua vez, uma maneira interessante de reprimir essa manifestação é pedir feedback das pessoas que convivem com você, seja em grupos de estudos ou até mesmo dos professores. Além disso, é importante entender que tal situação pode acometer diversas pessoas. Logo, externalizar essas emoções é um passo importante para o seu autoconhecimento.


Texto por: Zélia Maria


NOTAS DE RODAPÉ:

[1] Às vezes acho que sou uma impostora. Entrevistadora: Marcella Ceribelli. Entrevistadas: Jules de Faria e Ciça Conte. Bom dia, Obvious, 21 out. 2019. Podcast.

[2] Felder, R. “Impostors Everywhere” Chemical Engineering Education. Amsterdã, v. 22, n. 4, 1988. p. 168-169.

[3] GUARDIAN NEWS. Michelle Obama describes her battles with impostor syndrome. 2019. (1m31s).

© 2018. Site desenvolvido por membros do Laboratório de Bioética e Direito (LABB).

  • Facebook - Black Circle
  • Google+ - Black Circle
  • Instagram - Black Circle