[Coluna] Outra (não tão) breve história sobre como não estudar para a OAB: a segunda fase


Eu não passei na OAB. Como contei minha experiência na primeira fase quando, mesmo não preparando da forma considerada adequada, consegui passar; nada mais justo do que também compartilhar o resultado negativo na segunda fase e as reflexões que ele me trouxe. No entanto, uma pequena reviravolta recente tornou a ideia de escrever esse texto um pouco mais difícil.


Minha percepção genérica sobre a Prova da Ordem era que, uma vez superada a prova objetiva, na fase seguinte as pessoas pareciam sempre obter sucesso. Não foi meu caso. Porém, ainda que tenha ferido levemente meu ego não ver meu nome na lista de aprovados, eu fiquei bem. Estive bem resolvida com essa questão por bastante tempo, e o objetivo do texto seria justamente ajudar pessoas na mesma situação a entenderem que não era o fim do mundo. Até que, dois dias atrás, fiz a prova pela segunda vez. E não tenho ideia se passei. A ferida se abriu um pouquinho. Eu deveria ter escrito antes, quando estava tudo bem; ou compartilhar aflições também pode ser útil? Acreditando na última opção, cá estou.


Meu último semestre na faculdade foi tumultuado (mero eufemismo para CAÓTICO). Perto da data da segunda fase da OAB, eu estava completamente mergulhada nos meus estudos para a seleção de mestrado (assunto para um texto futuro). Toda a energia e tempo que eu tinha (e que eu não tinha) foram direcionados pra esse processo seletivo. No fundo, eu achava que aconteceria como na prova objetiva e que, apesar dos poucos estudos, eu passaria. Não foi bem assim.


Estudei menos dessa vez: não tinha ânimo, estava esgotada e perdida sobre como começar. Conseguia assistir, no máximo, 2 horas de vídeo aula por dia. Considerando que devo ter estudado por uns 5 dias e que isso foi tudo o que fiz, percebemos o quão defasada foi minha preparação. Não me entenda mal, não estou dizendo que você precisa se matar de estudar (ou estudar desde o segundo período da faculdade, para quem leu o texto anterior). Apenas quero explicar que minha reprovação não ocorreu apenas porque estudei pouco, mas também porque estudei errado. Meu objetivo com esse texto, portanto, é recomendar que não faça o mesmo.


A melhor dica que posso te dar é que entenda a prova que te espera e o que ela quer de você. Aprendi que a OAB é, em grande medida, sobre estratégia. É necessário compreender qual tipo de resposta a FGV valoriza; pesquisar provas anteriores e seus gabaritos; fazer simulados para controlar seu tempo (um importante adversário que não deve ser menosprezado).


Para exemplificar, posso contar um pouco sobre aquele fatídico domingo de setembro. Passei grande parte da madrugada anterior tentando (inutilmente) recuperar o tempo perdido. Quase não dormi, acordei cedo, mal e sem fome, mas tomei uma caneca enorme de café para despertar. Resultado da receita de cafeína misturada com nervosismo: uma dor de estômago forte e uma tremedeira que não parava. Antes de começar a prova, eu já tinha perdido pra minha própria ansiedade. Tente imaginar uma pessoa nesse estado tentando escrever umas 8 ou 9 páginas sobre direito civil. Pior: sobre processo civil!


E a prova em si? A peça era petição inicial. Eu sabia estruturar. Eu sabia os fundamentos. Gastei todas as 5 páginas, trabalhei com todo o cuidado meus argumentos, minha narração, minha escrita, meu poder de convencimento. Pena que isso levou mais de 4 horas. Sobraram entre 40 e 50 minutos para responder 4 questões abertas (com a e b!!!). Só consegui fazer, de fato, uma questão. A segunda, faltando uns 10 minutos, escrevi qualquer coisa que achei que fizesse sentido (não fazia). As duas últimas não consegui sequer ler o enunciado (lembra o que eu disse sobre o tempo?). Saí, obviamente, com a certeza de que não tinha passado.


Quando foi divulgada a correção, meus equívocos eram nítidos. Fui bem na peça, fiz 4 pontos (de um total de 5), o que deveria ter tornado minha aprovação relativamente fácil. Entretanto, a soma de minhas demais questões me levou a míseros 0,75 pontos. Percebi que, se não tivesse sido tão desnecessariamente detalhista na peça, poderia ter levado muito menos tempo nela sem prejuízo de pontuação; de forma que teria conseguido, ao menos, terminar a prova.


A OAB é uma prova técnica, estratégica, pontual. Você precisa dar “check” nos requisitos. Não há muito interesse na sua capacidade de argumentar ou na sua forma bem pensada de usar as palavras. Não é sobre isso. Não é uma prova muito teórica, argumentativa ou rebuscada. Pode parecer idiota não saber disso, mas eu realmente demorei a entender. Não li provas anteriores ou seus padrões de respostas; não fiz simulados para testar meu tempo; enfim, não entendi o tipo de avaliação que estava fazendo. Caso eu tivesse realizado essa pesquisa, o resultado poderia ter sido diferente.

Reprovei. Mas, novamente, estava tudo bem. Citando a mim mesma (sempre quis fazer isso), a prova não era capaz de medir se eu seria uma boa profissional no futuro, certo? Certo! Tenha isso em mente, como eu tive, aprenda com os seus equívocos (e com os meus também), porque a aprovação é uma questão de tempo. Aceitei, entendi meus erros e fiquei tranquila. Afinal, eu passaria na próxima. (Será? E se eu não passei? Ainda está tudo bem? Ainda consigo lidar com isso numa boa? Eu devo escolher direito civil de novo, se for o caso; ou ouvir todas as vozes que dizem que essa opção é loucura? Muitas dúvidas. Nenhuma resposta. Por enquanto. Quando encontrá-las, compartilho com vocês).


Por Luíza Resende

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