[Coluna] Cuidados paliativos e a dignidade da vida humana nos momentos finais

Atualizado: 29 de Mai de 2019


A morte não deve ser encarada como uma doença que, a qualquer custo, precisa ser eliminada: esta foi a nossa conclusão ao analisar, no último texto da série, a questão ética da manutenção artificial da vida humana.


Mas diante do manejo de enfermos, especificamente daqueles acometidos por doenças graves com evolução para a terminalidade, como viabilizar ao paciente o exercício do direito à vida e à dignidade humana em seus momentos finais? A resposta está na iniciação dos denominados cuidados paliativos.


Em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu cuidados paliativos como "assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais".


Portanto, a missão do profissional da saúde frente a um paciente terminal é propor o melhor tratamento possível, levando em consideração não apenas a situação clínica do enfermo, mas, fundamentalmente, a sua situação psicológica. A qualidade da tomada de decisão pelo profissional traduzir-se-á, então, na ética ao abordar os valores morais que envolvem cada caso concreto, obtendo uma solução prudente e responsável para cada situação enfrentada.


É importante ressaltar o quão vulneráveis se encontram os pacientes em situação de terminalidade e o quanto um final de vida debilitante pode lhes trazer a sensação de infelicidade e frustração, de desvalorização de toda a trajetória percorrida até então. Por esse motivo o suporte paliativo é de suma importância para a garantia do conforto físico e da integridade psíquica do enfermo.


Como já antes dito, morrer é parte da vida e, consequentemente, da biografia de cada ser humano. Os momentos finais devem ser tratados com a mesma importância e valorização que os momentos mais produtivos e ativos da vida, porque o processo de morte é também vida e apenas uma morte digna garante ao indivíduo uma plena realização de seu projeto vital.


O direito à vida digna deve ser garantido à toda a extensão da existência e uma morte digna, propiciada pela introdução dos cuidados paliativos, é essencial para o desfecho de uma trajetória transcendente. ______________________________


Referências Bibliográficas:

Antequera, José Maria; Barbero, Javier; Bátiz, Jacinto; Bayés, Rámon; Casares, Miguel; Gérvas, Juan; Sancho, Marcos Gómez; Gracia, Diego; Pascual, Antonio; Sendín, Juan José Rodriguez; Seoane, José António. Ética en cuidados paliativos. Edición: Ergon. C/ Arboleda, 1. 28220 Majadahonda (Madrid).

© 2018. Site desenvolvido por membros do Laboratório de Bioética e Direito (LABB).

  • Facebook - Black Circle
  • Google+ - Black Circle
  • Instagram - Black Circle