[Coluna] Sobre se perder (e se encontrar) dentro do curso de Direito


Grande parte dos alunos chega à faculdade logo após o Ensino Médio. A essa altura do curso, em pleno 9º período, olho para trás e lembro de mim mesma quando entrei, já nas primeiras aulas de Direito me questionando o que eu estava fazendo ali, já que todo mundo parecia saber tão mais que eu. Ao longo do tempo, fui descobrindo que parte daquelas pessoas tinha a mesma sensação naquela época, em graus diferentes. Fui aprendendo, de formas boas e ruins, como lidar com o ritmo de estudos da faculdade, infinitamente diferente do que eu estava acostumada até então. Antes, era fácil ignorar as aulas de física e química com a máxima "quando eu vou usar isso na minha vida?". E agora? Eu precisava estudar tudo igualmente? Eu usaria tudo na minha vida profissional?

A resposta é negativa, mas isso não quer dizer nada quando você está no começo do curso e não faz ideia do que vai ser sua carreira jurídica. E também não significa que você deve ignorar alguma disciplina como um dia ignorou exatas. Apenas gira em torno de ter foco e saber como dividir seu tempo e investi-lo naquilo que realmente importa para você. A questão é que quando cheguei à UFLA, eu sequer tinha certeza de quais matérias gostava. Eis um fato sobre isso, que espero ser reconfortante: é normal se sentir perdido. É normal não saber se gosta de civil ou penal, de trabalho ou empresarial, de constitucional ou internacional; então não se sinta mal se estiver passando por isso.


Em determinado momento, você provavelmente vai decidir que gosta de uma área; talvez até nos primeiros períodos. É importante que você aposte nisso: estude além do básico, busque grupos de pesquisa, faça eletivas dentro do tema, procure um orientador que possa te ajudar. Viva essa experiência, porque ela pode ser engrandecedora. Pode ser que, de cara, você se encontre. Pode ser que não. E isso também é normal (ao menos foi o que aconteceu comigo).


Se você passar por essa segunda situação, minha sugestão é: não se limite. Porque pode acontecer de, em determinado momento, aquela primeira escolha não fazer mais sentido. A partir disso, não vale a pena continuar insistindo em algo que você sabe que não mais te empolga, apenas por inércia. Acredite, a graduação pode ser extenuante em determinados momentos, e você só conseguirá ver algo positivo nela se estiver vinculado a algum projeto/tema que te traga satisfação.


O direito tem um leque enorme de conteúdos, e o curso tem muito a te oferecer além das disciplinas obrigatórias. Use isso a seu favor! O melhor a fazer é estudar e investir em uma área que, de fato, faça você sentir que se encontrou. Nenhum momento é tarde demais: ainda que você tenha que começar do zero, pode ser extremamente reconfortante e válido. Afinal, isso sim você provavelmente vai usar para o resto da sua vida.

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