[Coluna] Representação estudantil: construindo os debates para além do lugar comum


Com as disputas políticas travadas no processo de redemocratização do país durante os anos de chumbo (1964-1985), o movimento estudantil alçou uma posição de destaque na militância política, agregando mais uma força no conturbado espaço político brasileiro. Mesmo com toda a repressão, o movimento se consolidou enquanto um reduto de pensamento democrático e progressista, contribuindo para a abertura democrática e para a construção da Carta Constitucional de 1988.


Entretanto, passado algum tempo, observou-se que muitas das lideranças estudantis institucionalizadas ora foram coaptadas pela estrutura institucional instaurada, ora passaram a reproduzir velhos hábitos autoritários, antes combatidos por estas mesmas lideranças. Esse fenômeno eclipsou os ideários de um movimento estudantil que se pautava na busca de uma educação emancipatória, inclusiva e democrática e que, principalmente, fizesse eco aos interesses dos seus componentes e não apenas dos seus dirigentes.


Assim, principalmente diante do contexto vigente do país, marcado por sucessivos embates políticos e de distintas visões de Universidade e de educação, faz-se premente a construção de um movimento estudantil que retorne a sua base, isto é, que ligue-se novamente aos estudantes, pautando-se no diálogo e atento às diversas vozes que possam ecoar. É preciso evitar a contradição de se clamar por democracia no plano macro e reproduzir pequenas elites de poder, onde predominam o autoritarismo e o personalismo. Entendendo-se que não existe o consenso, e, principalmente, que é possível evoluir a partir do dissenso, é preciso sempre buscar o diálogo com as compreensões não hegemônicas.

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