[Coluna] Primeiro, o essencial



A vida é mais que uma lista de tarefas. Submersos numa imensa quantidade de atividades a realizar, acabamos deixando para fazer as coisas, que queremos e que nos motivam, para o dia, semana ou, até mesmo, para o ano seguinte. Sempre arranjamos desculpas para nós mesmos e para os outros, justificando nossas faltas. Com isso, acabamos por alimentar nossas angústias e por deixar nossos planos de lado. A famosa “falta de tempo” é uma das mais usadas.


A atual configuração da sociedade e, consequentemente, do meio acadêmico, exige que estejamos sempre atentos, com diversos “focos” e que tenhamos um alto rendimento; e cada vez mais são desenvolvidos instrumentos que facilitam o alcance da realização das multitarefas e o seu controle. Contudo, o problema surgido a partir daí é que, quanto mais se produz, mais cresce a necessidade de se produzir. O problema aumenta ainda mais se nos deixarmos levar por este turbilhão que gira frente aos nossos olhos, nos impedindo de vislumbrar um ponto de partida. É preciso dar um basta quando as coisas estão girando mais rápido do que conseguimos acompanhar. Só assim é possível entrar no olho do furacão que vem consumindo nossa vida e selecionar aquilo que realmente é essencial. Provavelmente, será necessário dizer alguns “nãos” nesse processo.


Sempre nos cobramos resultados, como se não fazer algo em determinadas situações fosse um pecado, ou se errar tivesse esse valor. Uma forma de diminuir esta cobrança é estabelecer um objetivo a ser perseguido e, junto a isso, deve caminhar a preocupação com nosso bem-estar. Devemos nos ocupar daquilo que é essencial para o alcance do nosso objetivo maior e, principalmente, ocupar-se conosco e daquilo e daqueles que gostamos. Além disso, é necessário entender: nem tudo depende de nós e da nossa boa vontade em fazer as coisas. Os erros existem para serem corrigidos e para aprendermos com isso. O importante é não desistir: nos arriscar em terrenos desconhecidos é um bom caminho rumo ao crescimento. Uma forma de conseguir isso é se permitindo errar (não podemos confundir o erro com o descuido, este sim deve ser temido). Não sejamos nossas próprias meias-irmãs e madrasta malvadas do conto de fadas. Não nos obriguemos a fazer algo que irá nos maltratar, isso fará com que nós redescubramos a leveza presente em diversos momentos da vida. No fundo, não há nada mais improdutivo que a excessiva energia voltada para a produção.

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