[Coluna] O engajamento de pessoas como um dos desafios de grandes líderes


Estruturalmente, em execuções de tarefas acadêmicas ou profissionais, quando impelidos a trabalharmos coletivamente – mesmo que de modo intuitivo – nos dividimos em torno de pretensas “lideranças”. Pessoas que, pelo seu desempenho pessoal ou por determinadas qualidades se destacam perante o grupo e que avocam, muitas vezes naturalmente, tal posto. E, quando inseridos em tais grupos após a sua estruturação originária, nos deparamos com tais “lideranças”.


Um primeiro ponto a se observar é que ter uma “liderança” não é uma condição sine qua non para a execução de trabalhos coletivos. Podendo-se questionar até mesmo este caráter “coletivo”, visto que, no geral este é, na verdade, o resultado da somatória de trabalhos individuais que não dialogam entre si, não se retroalimentam e nem mesmo trazem algum elemento diferenciador de um trabalho individual ordinário. É aquilo que poderíamos chamar vulgarmente de uma “colcha de retalhos”, que denota, expressivamente, nossa incapacidade de realmente produzirmos trabalhos coletivamente construídos.


Particularmente prefiro relacionar a produção de um trabalho coletivo com a montagem de um quebra – cabeças. Através de um problema em comum, se reúnem diversas peças (ideias/pessoas) distintas, mas com um mesmo propósito. E, através de um método operado por erros e tentativas, e em meio a um enorme emaranhado de particularidades, emerge-se um trabalho que é independente e tem resultado único, mas ao mesmo tempo guarda as marcas de todas as peças utilizadas (que, por fim, acabam por guardarem em si a marca do resultado final produzido). E, observe-se: a montagem deste quebra – cabeças prescinde de qualquer estrutura organizacional verticalizada, podendo-se dar de maneira horizontal, dialógica e cooparticipativa, o que denota maturidade dos seus envolvidos e ao mesmo tempo contribui para a evolução conjunta (afinal, a lógica de se trabalhar em conjunto é, para além de da somatória de esforços, o aperfeiçoamento de todos os envolvidos).


Se num primeiro ponto questionamos a necessidade de um “líder” e, por conseguinte, o caráter coletivo dos trabalhos que assim se reconhecem produzidos através de tal figura, num segundo momento podemos questionar quais balizar cercam o papel de liderança (ou pelo menos deveriam cercar) e o que diferencia um líder de um gerenciador ou de um chefe. Ou mesmo o que diferencia um grande líder de um mau líder. Afinal, engajar pessoas é o desafio de grandes líderes e sobre isso nós discutiremos melhor no próximo texto.


Ah, e pra começar bem a semana, nada melhor que uma citação de Rubem Alves do livro "A grande arte de ser feliz" (Editora Planeta, 2014): “A felicidade não acontece no final, depois da transa, depois do casamento, depois do filho, depois da formatura, depois de construída a casa, depois da riqueza, depois da viagem. A felicidade acontece no dia a dia. Felicidade é fruto na beira do abismo. É preciso colhê-lo e degusta-lo agora. Amanhã, ou ele já caiu, ou você já caiu...”.


Vejo vocês em breve!

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