[Coluna] Leituras do Direito Civil: entre a frustração e a aprendizagem



Neste semestre, no meu 7º período, puxei a disciplina eletiva de Leituras do Direito Civil. Era a disciplina que eu estava mais animada para cursar. Antes do início das aulas o professor pediu para que os alunos respondessem um questionário indicando os temas que gostariam de trabalhar, e os meus escolhidos foram os que mais me chamaram a atenção: Responsabilidade Civil e Atualidades em Direito Civil.


No primeiro dia de aula, depois de o professor passar pelas respostas do questionário, todo o meu ânimo acabou. O tema escolhido foi o único, dentre todas as cerca de 15 opções, que eu não queria que fosse estudado: Constitucionalização do Direito Civil. Minha relação com este tema não é das melhores, e não por eu não reconhecer sua importância, mas porque eu simplesmente não me identifico com ele.


Bom, mas este texto não é para falar sobre como “peguei uma eletiva e me arrependi” – se fosse sobre isso os 2.500 caracteres não seriam suficientes, acredite. Este texto é para falar sobre como a universidade e o curso de Direito podem te proporcionar mais do que você espera e de maneiras que você nem imagina.


A proposta da disciplina era ler dois livros sobre Constitucionalização do Direito Civil. Com o primeiro correu tudo bem, mas foi com o segundo que as coisas mudaram. O objetivo com este livro deixou de ser somente analisar os argumentos sobre a Constitucionalização. Fomos desafiados a criticar o autor, a rebater seus pensamentos e a encontrar falhas no seu raciocínio.


Melhor do que entender o que era um “estatuto epistemológico”, foi ter a oportunidade de aprender sobre algo que, no geral, a universidade não oferece: traçar rumos sobre quem eu gostaria de ser como estudante e como autora. Aprendi que a história é importante, mas que deve ser utilizada com moderação para não tornar o texto cansativo; também entendi que para defendermos uma tese devemos nos posicionar perante os grandes autores que estudam o mesmo tema, e não usar outros autores com menor relevância como escudo; descobri que criticar um texto não significa, necessariamente, criticar os argumentos, mas pode resultar da identificação de incongruências e do questionamento de determinados argumentos do autor, até mesmo se valendo dos próprios argumentos trazidos por ele, o que pode ser muito mais eficaz. No fim do semestre percebi que eu poderia sair da disciplina tendo aprendido zero coisas sobre Constitucionalização do Direito Civil, mas que eu sabia, pelo menos, como não escrever um texto.


E o que eu quis com isso tudo? Mostrar para você, colega-leitor, que a universidade é uma caixinha de surpresas e que você pode aprender muito até com as coisas que detesta (e sabe que hoje talvez eu até goste um pouquinho dessa tal Constitucionalização?). O importante é estar atento ao que as disciplinas podem te fornecer além do conteúdo obrigatório, e lembrar que nada é desperdiçado, tudo é aprendizagem.

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