[Coluna] Da graduação ao mestrado: processo seletivo para o programa de pós-graduação da UFMG - pt.2



No último texto da série, abordei os aspectos gerais e as duas primeiras fases do processo seletivo referente ao mestrado da UFMG. Como eram muitas as informações a serem compartilhadas e o texto já estava bastante extenso (amigos do LABB, prometo um dia cumprir o limite de 2.500 caracteres. Provavelmente esse dia não será hoje), preferi deixar a última fase para um relato separado (e um pouco mais pessoal).


Isso dito, a terceira fase da seleção consiste em uma prova oral em sessão pública. Realiza-se uma espécie de entrevista, em que as perguntas giram em torno do motivo da escolha do tema, da adequação deste à linha de pesquisa e ao projeto coletivo escolhido, de pontos controversos, da bibliografia, dentre outros. Também podem ser levantadas outras questões, relativas, por exemplo, às razões que te levaram a optar por aquela universidade, ou se você pode se dedicar exclusivamente ao mestrado.


Especificamente na linha de pesquisa e no projeto coletivo de pesquisa do qual participei, funcionou da seguinte forma: como apenas seis candidatos chegaram até essa fase, ficamos todos em uma sala, juntamente com os três professores que compunham a banca. Por ordem alfabética, cada um de nós era convidado a se sentar em frente aos avaliadores e, em cinco minutos, apresentar oralmente o projeto, de forma livre. Todos os candidatos assistiam às provas, além de algumas pessoas que tinham interesse no tema ou em prestar o mestrado no futuro e, por isso, também estavam presentes.


Foi, sem dúvidas, a etapa que meu nervosismo atacou de forma mais rigorosa. Eu fui a terceira a apresentar o projeto. Antes disso, não fui capaz de concluir se assistir aos demais me deixava mais tranquila ou mais desesperada. O fato é que você provavelmente se pegará torcendo para que todos se saiam bem, ainda que sejam seus concorrentes: é extremamente desconfortável assistir a críticas muito duras e, definitivamente, não ajuda a manter a calma.


Surpreendentemente, fiquei satisfeita com minha apresentação (imaginei que seria um desastre tentar resumir toda a minha prolixidade em 5 minutos), mas, em seguida, vieram as perguntas. De primeira, já fiquei desestabilizada. Não sabia responder algumas. Outras eu sabia, mas apagaram da minha mente. Felizmente, tiveram aquelas que consegui recuperar a calma e desenvolver de forma satisfatória. Em determinado momento, achei que simplesmente não conseguiria ficar ali para responder os questionamentos até o final. Não consigo explicar (nem entender, na verdade) o nível de ansiedade que tomou conta de mim.


Saí de lá com a certeza que não tinha passado. Estava certa: tinha ficado em quinto lugar, e eram quatro vagas. Minha nota, porém, tinha sido suficiente para aprovação, já que são aprovados (embora não classificados) todos os candidatos cuja nota é igual ou maior a 70. Achei que isso não teria relevância, mas um dos professores da banca tinha se interessado pelo projeto. Então, quando chegou o momento de redistribuir as vagas que não tinham sido ocupadas no processo seletivo (referentes a outras linhas de pesquisa e outros projetos coletivos), ele requereu uma vaga a mais, para que pudesse me orientar. E, alguns meses de angústia depois, o colegiado aprovou o pedido. Eu passei!


O processo seletivo, definitivamente, não foi fácil. Eu pensei em desistir desde o momento que vi no edital que eram apenas duas vagas para a área que me interessava. Pensei em desistir quando não encontrava tema para o projeto. Pensei em sequer entregar os documentos que faltavam quando saí da sala da entrevista com a certeza que de não tinha sido aprovada. Bom, no final das contas as duas vagas viraram quatro, porque não foram deferidas inscrições para vagas reservadas¹. Eu consegui escrever e enviar o projeto a tempo. As quatro vagas viraram cinco porque se interessaram pelo meu projeto. E deu tudo certo, contra todas as expectativas autodestrutivas que eu diversas vezes construí.


O conselho que posso deixar para você que está na graduação e pensa no mestrado é: tente. Planeje-se durante a faculdade. Construa um bom currículo (sem pirar demais com isso). Não desista por narrativas de autossabotagem criadas na sua mente. Não importa o número de vagas, a possibilidade sempre existe. Se não der certo de primeira, ou de segunda, o processo estará lá, ano após ano. O que você verdadeiramente precisa é respirar fundo, tentar, e confiar em si. Você se fortalece em todas as experiências, em cada fase, cada crise de desespero, cada crítica recebida e cada texto lido. Qualquer fagulha de esperança pode ser suficiente para te levar ao seu objetivo.


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¹ O edital previa duas vagas para ampla concorrência e duas vagas reservadas. Quando não foram deferidas inscrições para as vagas reservadas, as duas vagas foram direcionadas para a ampla concorrência, totalizando quatro.

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