[Coluna] Da graduação ao mestrado: processo seletivo para o programa de pós-graduação da UFMG



Decidir o que fazer após a faculdade raramente é uma tarefa fácil. No primeiro texto dessa série, Maria Clara contou um pouco do seu percurso até a decisão de tentar o mestrado da UFMG. Embora levemente mais confusa e menos organizada em relação aos meus planos e anseios para o futuro, tomei o mesmo caminho. Optei por me dedicar exclusivamente a este processo seletivo. Dividir meu tempo e meus estudos entre seleções para outras universidades me parecia uma escolha ruim, já que minha dedicação já teria que estar parcialmente direcionada às demais pendências do último período (TCC e OAB que o digam).


Quando olho em retrospecto, creio ter sido uma boa escolha ficar apenas com aquela que era minha primeira opção. Ao mesmo tempo, percebo o quão angustiante foi esse período, e é justamente por isso que compartilhar dicas e experiências sempre soa como uma boa ideia para mim, afinal, há a possibilidade de tornar as coisas mais leves para quem pretende seguir rumos parecidos.


Especificamente no que se refere ao processo seletivo da UFMG, os candidatos precisam passar por três fases. A primeira é a prova instrumental de língua estrangeira. Trata-se de avaliação aberta, com cinco questões e um texto relativamente extenso no idioma escolhido. As perguntas acerca do texto são simples, porém é necessário respondê-las em português, demonstrando capacidade de traduzir o exposto. A pontuação mínima é de 60 pontos. Duas dicas acerca dessa etapa: (i) é possível realizá-la anteriormente à abertura do edital para o processo seletivo (eu fiz em maio de 2018, por exemplo); e (ii) caso sua escolha seja o inglês, a prova pode ser substituída pelo TOEFL, desde que atingida a nota mínima de 530 pontos.


Caso você faça essa prova com antecedência, a divulgação do edital virá alguns meses depois. Com ela, abre-se o prazo para a inscrição no processo seletivo, a qual deverá vir acompanhada do projeto de pesquisa. No meu caso, a redação do projeto foi complicada, especialmente diante da dificuldade relacionada à escolha de um tema. Tenha em mente que é necessário conhecer bem a linha de pesquisa e a área de estudos pela qual optar. O projeto deve ser construído com base nelas. Não tente forçar um encaixe do tema escolhido à linha e à área propostas: muitos candidatos são eliminados em razão da inadequação a esses parâmetros. Uma boa sugestão é convergir a temática do TCC com a do projeto de mestrado, o que permitirá um aprofundamento na pesquisa e evitará uma divisão indesejada de seu tempo (o qual, acredite, será escasso). Além disso, não deixe de buscar o currículo dos professores que te interessam como futuros orientadores: saiba o que escrevem e pesquisam, descubra temas de interesse em comum e aposte neles.


Nesse primeiro momento, o projeto não é avaliado em termos de conteúdo: ele apenas será defendido (oralmente) na última fase do processo. Uma vez deferida a inscrição (leia o edital com toda a atenção do mundo! Ninguém quer ser eliminado porque esqueceu algum documento ou não encadernou o projeto), passa-se para a prova escrita. Na UFMG, funciona da seguinte forma: são quatro linhas de pesquisa principais, que se subdividem em áreas de estudos mais específicas, dentre as quais o candidato escolherá uma. Para cada área de estudo, são oferecidas dez referências temáticas e algumas bibliografias relacionadas. Não se trata uma lista bibliográfica fechada, mas meramente sugestiva, de forma que a preparação não deve estar vinculada ou limitada a ela. Na área de estudos que prestei, por exemplo, algumas referências temáticas não tinham correspondência na bibliografia indicada, de forma que tive que procurar leituras por fora. Outros temas eram abrangentes (exemplo: “direito civil e proteção dos vulneráveis”), enquanto a obra indicada era específica (sobre pessoas com deficiência, no caso), motivo pelo qual também foi necessário buscar outras obras cuja visão sobre o assunto era mais geral.


No dia da realização da prova em si, uma das dez referências temáticas é sorteada. Os candidatos devem escrever livremente sobre o assunto, sem limites de tamanho ou perguntas mais específicas[1]. Dessa forma, é necessário se preparar para todos os temas propostos, na medida do possível. É natural que alguns deles recebam mais atenção que outros, mas não negligencie completamente nenhum.


A prova escrita é a etapa que envolve a preparação mais intensa. Na minha experiência, entretanto, também foi a mais leve. Dentro do LABB, éramos quatro pessoas prestando o mesmo processo seletivo. Marcamos reuniões semanais nas quais debatíamos sobre os temas. Em cada uma delas, um ficava responsável pelo fichamento das leituras propostas. O fato é que, para além de um auxílio mútuo em relação ao conteúdo, compartilhar a tensão daquele momento foi fundamental: estudamos, rimos e choramos juntos. Poderia ser uma ideia ruim: no fim das contas, éramos também concorrentes. Nossa parceria, contudo, foi o que tornou aquela etapa suportável e interessante.


A estratégia de estudos conjunta, que poderia causar estranhamento à primeira vista, resultou em nós quatro aprovados na prova escrita com notas entre 80 e 90. Quando tudo parecia ser festa e comemorações (e como comemoramos! Peço desculpas a todas as pessoas que estavam no DIR aquele dia, inclusive), a realidade bateu à porta: ainda faltava a última fase, a prova oral. Esta, todavia, merece um texto à parte, que será publicado na próxima semana.

________________________

[1] Tal dinâmica pode variar de acordo com a linha de pesquisa e área de estudo.

© 2018. Site desenvolvido por membros do Laboratório de Bioética e Direito (LABB).

  • Facebook - Black Circle
  • Google+ - Black Circle
  • Instagram - Black Circle