[Coluna] Da graduação ao mestrado: o percurso até a sonhada pós-graduação


Universidade Federal do Paraná

Eu não sei dizer quando decidi cursar uma pós-graduação, mas já era um desejo consolidado em mim quando em outubro de 2017 me inscrevi no processo seletivo da Universidade Federal do Paraná. E de certa forma sinto que essa “antecipação” foi importante para minha aprovação. O prazo para inscrição era curto, então não havia tempo para hesitar ou mesmo para me preparar.


O programa da UFPR estava entre as minhas primeiras opções, com boa avaliação pela CAPES e uma linha de pesquisa que já me era familiar. Mas o processo seletivo me assustou em um primeiro momento, na verdade em todos os momentos. O primeiro baque foi a mudança na seleção, que até o ano anterior era mais simples, com poucas bibliografias – que eu, inclusive, já havia adiantado, na expectativa de que se repetissem – e menos fases, diferente do edital de 2017. Composto por quatro etapas, era um desafio que demandaria tempo, organização, dinheiro (duas idas à Curitiba, além da taxa de inscrição[1]) e paciência, muita paciência. Precisava de fôlego para enfrentar: (i) a prova objetiva com 35 questões atinentes às disciplinas formativas e às disciplinas elegidas pelo candidato no ato da inscrição; (ii) a prova dissertativa com 4 questões a serem respondidas em até 30 linhas sobre a primeira disciplina escolhida; (iii) a avaliação do projeto entregue com a inscrição, conforme os critérios do edital; e (iv) a entrevista/exame oral consistente na análise do currículo e na defesa do projeto de pesquisa[2].


Com uma bibliografia extensa e pouco tempo para me preparar, manter a calma foi definitivamente a tarefa mais difícil. A ansiedade me atingiu diversas vezes. Entre o desespero de não conseguir estudar tudo, a sensação de ser insuficiente e alguns súbitos impulsos de coragem, eu vivi os cinco meses entre a abertura do edital e a divulgação do resultado final.


Fui aprovada na primeira fase – dificílima por sinal, com questões muito específicas sobre a bibliografia – após recurso de outros candidatos que acabaram me beneficiando com uma questão anulada. Passei da segunda fase na “risca” porque, embora tenha alcançado a nota de 8,7, precisava estar entre os cinquenta primeiros colocados para ser habilitada. Sofri por cada minuto de atraso na divulgação do resultado da terceira etapa. E depois de uma entrevista de 10 minutos – que me pareceram como 10 vidas – onde destrincharam cada item do sumário e da bibliografia do meu projeto de pesquisa, eu finalmente fui considerada habilitada e aprovada para ingressar no Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPR. Mestranda em Relações Sociais.


Não tive muito tempo para processar essa informação, já que em uma semana precisei transferir minha vida pra Curitiba. Mas aí já é assunto pra outro texto...


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[1] Eles oferecem isenção para os candidatos que comprovarem ser de baixa renda.


[2] Na primeira, segunda e quarta etapas era preciso obter no mínimo nota 7 para ser habilitado e estar, respectivamente entre as oitenta, cinquenta e quarenta melhores notas.

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