[Coluna] Da graduação ao mestrado: a sonhada pós-graduação em uma espiral de emoções


No texto anterior contei um pouco sobre a minha curta – e extenuante – trajetória até a aprovação no Mestrado em Direito da UFPR. Pois bem, enquanto escrevo este outro relato percebo que faz um ano que me mudei para Curitiba. O que aconteceu de lá pra cá eu vou tentar resumir nos parágrafos que seguem.


A mudança de cidade – e de Estado – em prazo de dias foi feita de maneira um tanto quanto impulsiva. Encontrei um quarto para alugar pelo Facebook e vim de Minas com apenas duas malas e a empolgação acumulada desde a aprovação. Mas foram as mudanças de perspectivas que me puseram do avesso em um intervalo de tempo incrivelmente curto. O mestrado me permitiu uma virada na forma de pensar o Direito, meu objeto de pesquisa e mesmo a forma de fazer pesquisa. E logo eu, que me considerava “experiente” na vida acadêmica, me vi repensando todos os “como”, “por que”, “para quem”, e etc.


O programa da UFPR exige que cursemos quatro disciplinas obrigatórias[1] – além de duas optativas, totalizando 15 créditos – que em um primeiro momento pareciam em nada contribuir com minha dissertação. Mas eu não podia estar mais enganada. Em um ambiente onde tudo se põe na mesa, a crítica derruba e reconstrói o conhecimento, e o debate abre portas que eu nem imaginava existir. E o ritmo de estudos no mestrado também é outro. No começo incomoda a dinâmica de aulas quase nunca expositivas, a carga de leitura por vezes elevada ou em outros idiomas, fichamentos, artigos e seminários no meio do caminho, além do receio de participar dos debates em aula. Mas o estranhamento logo passa quando você se organiza e, por fim, percebe que os outros estudantes estão no mesmo barco.


Uma questão que me preocupou a princípio foi minha própria subsistência. Recém-formada, sem experiência, em uma cidade onde eu não conhecia ninguém, tive receio de não encontrar um trabalho. A bolsa era minha primeira opção, mas sabemos que elas estão escassas. Porém, essa preocupação foi rapidamente superada. O processo seletivo da bolsa aconteceu na logo primeira semana e fui selecionada. Aqui o edital considera, além da trajetória acadêmica do aluno, o nível de vulnerabilidade econômica e a necessidade de dedicação integral para a execução da pesquisa. E no final do ano passado recebi uma proposta de emprego de um colega que conheci despropositadamente na pós. Vejam como os caminhos se abrem em direções que nem imaginaríamos.


Definitivamente o mestrado é um período de amadurecimento, intelectual e pessoal, e isso precisa ser desfrutado. A pós-graduação exige do aluno, mas não recomendo sofrer por isso. Ao contrário, deve-se tomar essa exigência como uma chance de crescimento e aprendizado, em uma postura que é, ao mesmo tempo, humilde e proativa, buscando sorver o máximo das oportunidades, sem se culpar por aquilo que eventualmente lhe escape.


Enfim, minha aventura ainda está em curso, abandonei metade das certezas que me acompanharam por tanto tempo, tenho trabalhado na construção de novas – mais conscientes e refletidas, e talvez por isso mais consolidadas – e pressinto que, com a escrita da dissertação, vem mais uma espiral de emoções no ano que segue.


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[1] São elas: Filosofia do Direito, Metodologia da Pesquisa Jurídica, Teoria do Estado e Teoria do Direito, que somam 11 créditos.

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